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A Transformação:

Agosto 27, 2008

“… Ele olhou para o lado. Do lado havia Outra Pessoa. A Outra Pessoa o olhava com cuidadosos olhos castanhos. Os cuidadosos olhos castanhos eram mornos, levemente preocupados, um pouco expectantes. As transformações tinham-se tornado tão rápidas que, no primeiro momento, não soube dizer se a Outra Pessoa via a ele ou a Ela, se se dirigia à moldura, à casca, ao cristal ou ao desenho, ao corpo original, às gotas de sangue. Isso, num primeiro momento. Num segundo, teve certeza absoluta que se tinha desinvisibilizado. A Outra Pessoa olhava para uma coisa que era ele mesmo. Ele mesmo olhava para uma coisa que era Outra Pessoa. O coração dele batia, cheiro de sangue. Pousada sobre seu ombro, a mão da Outra Pessoa tinha veias cheias de sangue, latejando suaves.
Alguma coisa explodiu, partida em cacos. A partir de então, tudo ficou ainda mais complicado. E mais real.”

- Caio Fernando Abreu.

Agora até sinto-me pisar quebrando os cacos que ficaram para trás à medida que sigo em frente. Em frente, sempre.

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De repente, não mais que de repente…

Julho 22, 2008

[...] sabe que o meu gostar por você chegou a ser amor, pois se eu me comovia vendo você, pois se eu acordava no meio da noite só pra ver você dormindo, meu Deus…como você me doía! De vez em quando eu vou ficar esperando você numa tarde cinzenta de inverno, bem no meio duma praça, então os meus braços não vão ser suficientes para abraçar você e a minha voz vai querer dizer tanta, mas tanta coisa que eu vou ficar calada um tempo enorme…só olhando você, sem dizer nada só olhando e pensando: Meu Deus, mas como você me dói de vez em quando!

- Caio Fernando Abreu

Entre os minutos curtos escondem-se longos segundos de aflição doída em mim.
É aquele sentir frágil e medroso, ousado mas comedido.
Extra-ordinário não saber o que fazer.
São palavras de desabafo e tentativas de concluir que você é a pessoa para a qual eu quero dar a minha fidelidade, ou não
Borrifaram dúvidas entre nós que custam a secar… É que por mim eu tenho certeza, mas você… você me faz duvidar, me faz querer e desquerer, amar e odiar, ficar entre esses extremos, oscilando. Meu coração não aguenta!
Esquenta e esfria. Mas é porque é inverno, tempo de estar junto, abraçar, sentir-se aquecida a noite no parque pelo beijo dela, fondue com frutas, bocas, linguas e tremores de gozo.
Canso de tentar achar modos de expressar essas coisas surreais.

Alguem diz pra ela que sem ela não pode ser?

[20.07.08]