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Não muda.

Julho 22, 2008

Não tenho angina de peito, não tenho hipertensão, não estou tendo um enfarto do miocárdio. Curioso, como é possível este órgão tão vital ao funcionamento do corpo humano doer só de vê-la? Parece que vital é ao corpo e à alma. Meu corpo padece, desmorona e não volta mais, estes pequenos centímetros que separam nossos corpos, separam a uma distância assustadora nossos corações. Seu íntimo parece coberto por um fogo invisível… Tento me aproximar, mas sempre me machuco quando perto demais e tenho que me afastar. Você pode controlar a intensidade desta chama, por vezes mais branda, vezes estas que posso me acalentar e esquentar meu corpo gélido de saudade; mas tão logo aquecido começo a me afastar, a chama novamente aumentou, me machucou e eu não sei.
…Qual é sua forma de proteção? Suas idéias possivelmente deixariam louco mesmo um psicanalista, pois tento adentrar seus sentimentos e como a ponta de uma agulha, me perco em meio a um oceano repleto de finas, hostis agulhas. É talvez a causa e o efeito. Causa-me uma confusão e fere meus sentimentos, meu ego, meu íntimo, meu interior, meu exterior… Quebra a homeostase. Libera adrenalina, serotonina, dopamina e minhas asas. Saio num vôo; o vento forte que bate contra meu corpo fraco, perdido no céu (este mesmo que você me apresentou) invade todo meu ser humano, leva o humano, a felicidade, a capacidade: fica o ser. Ser sem você, ser o vazio, vazio que compreende o existir, apenas ser um algo falho em meio a coisas. Objetos, pessoas, animais, elementos… todos frios, estáticos, brancos.
É uma lua grande, brilhante, leitosa, que está alta e longe no campo das estrelas, únicas, eternamente mortas, como minha alma, que morre a cada queimar na sua chama, deixa meu corpo a ser uma eterna estrela, perto da lua, do vácuo, deixa seu brilho morto, fria, perto dos corpos celestes, longe dos corpos, do seu corpo quente e sentimentos.
Você sentará tão somente emaranhada nos seus tantos sentimentos. Mira o céu, uma única estrela numa noite abafada. Deseja infinitamente qualquer vento alísio, uma gota na sua pele úmida. Será uma alegria tão efêmera receber este frescor, levaria o morno incômodo. Debalde pensará no desejo que tão mascaradamente cria e cultiva cada dia mais, com mais esforço e angústia. Tão efêmera quanto a alegria, virá a lembrança daqueles momentos tão deliciosamente agradáveis que outrora passara com a garota-contradição-dos-seus-princípios.
Mas era tão pueril aquele sorriso, o olhar tão certo de penetrar n’alma, os lábios molhavam-se e saciavam a sede naqueles outros que ingênuos e doces dançavam um ritmo francesinho, tão suaves eram os toques que acompanhavam o farfalhar das folhas verdinhas com o silvar do vento.
Sentindo, olhando os efeitos do vento, seu pensamento vai para longe, pára ao lado dela… Tudo volta a parecer tão simples, no oceano ficam apenas as marolas, o vai-e-vem das águas, o revolver da areia… Nada mais simples e feliz do que estar com ela.
O vento pode tornar-se furacão, brisa, tufão, ventos, ventinhos, e o amor, Minha Menina, assim é.

[23.04.08]