Arquivo da categoria ‘Ela’

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desassossego:

Agosto 24, 2008

Estou pronta para vomitar.
Eu levantei da cama, coloquei um jeans sujo cheirando a cigarro, um moletom cinza, óculos escuro, prendi o cabelo bem alto, queria parecer qualquer coisa assim, tipo um pássaro com aqueles topetes estranhos. Nem estava frio, mas eu queria o moletom. Comprei açúcar, limão, soda e hortelã.
Antes eu tinha lembrado do Bacardi branco na geladeira, do lado de um monte de catchups e maioneses. Decidi que precisava tomá-lo. Cheguei e preparei meia caneca de mojito e coloquei em uma taça de champagne. Nada a ver. Não medi nada, mas ficou bom.

Antes disso tudo eu fiquei irritada na cama porque coloquei uma luz perto e a luz estava fazendo parecer quente e sujo. Eu deitei para ler… coloquei uma música bem baixinho e peguei os Morangos Mofados. aí quando ia começando a ler a música mudou e a voz do cara lá cantou Strawberry fields forever…. Tá, é um lugar, mas é morango, ué. Mas o mais engraçado é que eu lia este livro antes de parar para comprar um café pra viagem e depois de ler a parte “…, e nesse momento o disco acabou e as palavras ficaram ressoando meio libidinosas no ar, enquanto ele olhava para o osso descarnado.” E é lógico que ele falava de uma perna de galinha. Quando peguei o café e saí de lá, subindo uma travessa da Av. Paulista, eu olho para o chão e vejo uma perna de galinha descarnada. Eu ri e fui pisando nas listras brancas dos pedestres.

Aí eu fico achando que o Caio devia ser uma pessoa bem louca, que vivia vomitando tudo o que lhe afetava. E até mesmo o que não lhe afetava.
Eu me sinto quando o leio. Sinto até uma vontade congelante de tragar um pouco de aventura.
Vou pegar um livro aqui em cima e escrever alguma coisa dele, só porque me sinto um pouco sem o que falar… Ah, o Elogio da Loucura não é muito bom pra agora, apesar de conter uma pergunta pertinente: O que seria da vida sem a volúpia, sequaz da Loucura?
Sem a loucura. Meus disas têm sido sem loucura, tão iguaizinhos como a chuva. A chuva sempre é chuva, às vezes forte às vezes fraca, mas chuva. Os dias são assim, às vezes brilhantes, às vezes nebulosos. E as pessoas também… umas são mais intensas, outras são fantoches.
but we all pump the same red blood into our veins.

Não queria falar nada sobre ela agora. Mas sinto meu coração palpitar. Não de dar palpite, mas de pulsar.
Eu sinto até meu sangue mais fluido… que corre mais rápido mas deixa ofegante.
Só me desiludi. Mas tenho a vontade como sempre… não importa o que tenha falado nem feito. Nem há felicidade falsa, enquanto dura é verdadeira!. Porque um dia de felicidade que ela consegue me dar é tão anestesiante quanto aquela coisa que injetam na nossa veia pra fazer cirurgia grande.
E é muito verdadeiro. Não importa se depois ela pense e ache que não, que não pode nunca se apaixonar por mim. Nem me fodo pra isso… paixão, amor, o escambau.. que corra tudo pelos esgotos. Pra mim só importa o momento. E o momento eu sei que é meu. É a única parte da minha vida que eu não penso no depois… estranhamente eu vivo o agora pensando como vou lembrar disso amanhã. E já falo como se fosse passado.
Eu tomo um gole dessa coisa alcoolica, limpo os lábios e mordo o inferior. A boca fica deveras vermelha… e lembro que ela gosta disso, e eu gosto da boca violenta dela.
Violenta de beijos, mordidas, chupadas e palavras. Tudo me afeta e me comove.
Move. Porque senão tudo fica assim estático e eu só leio essas palavras nessas folhas amareladas e sinto tanta vontade de ter uma sala só minha. Só quero a sala.
Quero um quadrado de área grande, sem quase nenhum móvel.. mas um toca-discos, um piano, um tapete e muitas almofadas. Sem TV. Flores e meia-luz.
Quero uma parede bordô e a cortina cru. Um quadro preto e branco com uma foto que eu tirei quando fui pra uma cidade estranha e comi a camareira.
Eu gosto dessa sensação de resolver problemas complexos de física e sentar num tapete fofo escutando qualquer coisa antiga.
Mas mesmo que isso aconteça e eu tenha esse meu quadrado particular, eu vou colocar um moletom, tomar algo com muito gelo e esperar tocar o celular com a música “uh, mon amour, mon amour j’t'entends pas mon amour dis-moi où t’es allé, mon amour, mon amour…”.
Porque quando essa música toca no meu celular eu tenho vontade de vomitar eu te amo’s loucamente.
Mas enquanto isso fico aqui vomitando umas quase-vontades que tenho nesse corpo tépido e essa steaming mind.

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nesses dias

Agosto 9, 2008

Porque a gente sabe, a vida passa… leva umas coisas, deixa outras. E um dia você vai poder sentar na mesa do bar com seus amigos e seu namorado, jogar conversa fora e beber uma cerveja bem gelada. Então quando todos estiverem alegres, começarão a contar as histórias, aventuras e afins… – Que bom, você pensará, eu tenho algo pra falar. Começa a rir como quem tem o que contar e começa: “Eu tive um caso com uma menina… ela se apaixonou por mim, me encheu o saco, a gente beijou, fez amor…”. Neste momento você sentirá todas as atenções voltadas a você e a cara de inconformismo das pessoas, como uma onda que engole as areias da praia, essa sensação te inundou e levou as palavras que estavam brotando na sua boca e continuou “…mas aí eu me toquei que estava sendo idiota porque eu gosto mesmo é de homem.”. Pode virar, beijar e acariciar a barba do seu homem, porque é isso que as mulheres não têm- barba. Todos soltam os ares e respiram aliviados, vendo de novo a menina tão simpática, bonita, carinhosa e amorosa com o namorado.
Enquanto algo ainda remói lá dentro dela.

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ensaio

Agosto 1, 2008

… e ficou um tempo deitada pensando. Estava achando muito… como escolher a palavra? Longe, impessoal talvez. Hesitou uma vez em levantar da cama, chegou a colocar um pé no chão, sentiu o frio do piso, parou – será que ela sentiria este frio no corpo todo mais tarde? Mexeu a cabeça, espantou esses pensamentos e discou o número dela. Que demora para atender!…

“Alô?”

“Ei… pode me encontrar mais tarde no parque?”

Colocou uma camisa com listras rosa, dobrou as mangas e foi. No caminho estava nervosa, até um pouco infeliz, com um pressentimento ruim, fechou a cara. Subiu as escadas que davam pra um jardim suspenso, olhou em volta, procurou um rosto conhecido e sem esperar sentiu seu ombro tocado; assustou-se e no mesmo instante sorriu e tudo o que sentira até aquele momento se dissolveu de súbito. Abraçaram-se e foram procurar um lugar para sentar.

Às vezes as coisas a serem ditas são tantas, mas tantas que a gente se cala. E aquela pessoa de camisa rosa-listrada, eu, senti o vento arrepiar meus instintos. Fiquei constrangida com o silêncio e tentei começar…

“Não fiz você vir até aqui a toa. É o seguinte: eu te escrevi uma carta… fiz letra caprichada, perfumei o papel, comprei envelope vermelho, coloquei endereço e tudo. Mas achei um pouco longe, fraco, frio. E também não escrevi tudo o que queria dizer e nem poderia. Sei que você entenderá muito mais só de me olhar, deve estar entendendo já. Quero que você entenda que pra mim é difícil fazer isso, assim como é difícil pra você escutar. Talvez tivesse sido mais fácil entregar-te a carta, que eu li, reli, corrigi e o escambau.

De novo ela fez silêncio. Por um momento se sentiu frágil – não havia nada entre ela e o infinito do céu, achou tudo aquilo tão grande, se sentiu tão pequena. As cores eram tão intensas, o verde da grama, o azul do céu, o vemelho da boca… Então sentiu-a tocar sua mão.

“Pode falar, você sabe que a gente sempre acaba se entendendo…”

Sentiu-se crescendo, forte, capaz de tocar o céu e retomou…

“…Certo. Olha, às vezes me canso de fingir que não te quero o tempo todo, que não desejo planejar viagens, dividir dúvidas e alegrias, dormir junto como se isso fosse a coisa mais normal entre a gente. Não quero mais fingir que não quero preparar o jantar pra você, esperar você trazer o vinho… beijar e pegar na sua mão vendo um filme chato. Ir ao parque correr, andar, passear, fazer nada… sem pressa porque o que a gente está vivendo não vai acabar. Escutou? Eu quero tudo isso com você. Quero ser uma pessoa só sua, que você saiba que é você que eu desejo, que eu amo, quero cuidar, quero brigar até. Não importa o que, mas eu quero … e quero com você. Quero te abraçar e sentir você só minha. Só minha…”

Olhou nos olhos dela e sentiu um silêncio aterrorizante, talvez fosse o tudo ou o nada. Ela ainda não saberia.

Eu ainda não sei.

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Sentindo nada: distraída

Julho 22, 2008

“Já começou a formigar?”
“Como?…”
“A anestesia, já está fazendo efeito?”
“Acho que… sim, é.”

A diferença é que ninguém pergunta se já começou a formigar e ninguém aplica com injeção, embora fosse comparável a qualquer droga injetável, que penetra rápido e certo na veia, espalha rápido porque seu sangue corre rápido com o mesmo destino que o olhar dela – o coração.
Rápido, rápido, rápido. Tudo isso acontece tão depressa; e o tempo quase estático quando no encontro das nossas peles.
Mas o amor vem assim, como uma anestesia, uma droga ou qualquer coisa que amenize, tire um pouco os sentidos de juízo ou moral. Amor de verdade dói, senão não é amor. Meu Deus, mas como você me dói de vez em quando!
Às vezes você é maior que meu amor e todas essas sensações inexplicáveis, transcedentais que me atingem. Eu em mim não tenho graça, e por isso não há nada que me desgrace. Mas se você se importasse um pouco mais, se se permitisse tocar, atingir, doer, sofrer, viver… mesmo estando longe e fazendo-se de distante! Já que nos meus braços você é tão minha, tão louca, nossas palavras e salivas são co-ordenadas. Minha vida com você é trailler – são os trechos emocionantes, empolgantes, os melhores e os que fazem vontade demais de mais.

[21.07.08]

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De repente, não mais que de repente…

Julho 22, 2008

[...] sabe que o meu gostar por você chegou a ser amor, pois se eu me comovia vendo você, pois se eu acordava no meio da noite só pra ver você dormindo, meu Deus…como você me doía! De vez em quando eu vou ficar esperando você numa tarde cinzenta de inverno, bem no meio duma praça, então os meus braços não vão ser suficientes para abraçar você e a minha voz vai querer dizer tanta, mas tanta coisa que eu vou ficar calada um tempo enorme…só olhando você, sem dizer nada só olhando e pensando: Meu Deus, mas como você me dói de vez em quando!

- Caio Fernando Abreu

Entre os minutos curtos escondem-se longos segundos de aflição doída em mim.
É aquele sentir frágil e medroso, ousado mas comedido.
Extra-ordinário não saber o que fazer.
São palavras de desabafo e tentativas de concluir que você é a pessoa para a qual eu quero dar a minha fidelidade, ou não
Borrifaram dúvidas entre nós que custam a secar… É que por mim eu tenho certeza, mas você… você me faz duvidar, me faz querer e desquerer, amar e odiar, ficar entre esses extremos, oscilando. Meu coração não aguenta!
Esquenta e esfria. Mas é porque é inverno, tempo de estar junto, abraçar, sentir-se aquecida a noite no parque pelo beijo dela, fondue com frutas, bocas, linguas e tremores de gozo.
Canso de tentar achar modos de expressar essas coisas surreais.

Alguem diz pra ela que sem ela não pode ser?

[20.07.08]

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Não muda.

Julho 22, 2008

Não tenho angina de peito, não tenho hipertensão, não estou tendo um enfarto do miocárdio. Curioso, como é possível este órgão tão vital ao funcionamento do corpo humano doer só de vê-la? Parece que vital é ao corpo e à alma. Meu corpo padece, desmorona e não volta mais, estes pequenos centímetros que separam nossos corpos, separam a uma distância assustadora nossos corações. Seu íntimo parece coberto por um fogo invisível… Tento me aproximar, mas sempre me machuco quando perto demais e tenho que me afastar. Você pode controlar a intensidade desta chama, por vezes mais branda, vezes estas que posso me acalentar e esquentar meu corpo gélido de saudade; mas tão logo aquecido começo a me afastar, a chama novamente aumentou, me machucou e eu não sei.
…Qual é sua forma de proteção? Suas idéias possivelmente deixariam louco mesmo um psicanalista, pois tento adentrar seus sentimentos e como a ponta de uma agulha, me perco em meio a um oceano repleto de finas, hostis agulhas. É talvez a causa e o efeito. Causa-me uma confusão e fere meus sentimentos, meu ego, meu íntimo, meu interior, meu exterior… Quebra a homeostase. Libera adrenalina, serotonina, dopamina e minhas asas. Saio num vôo; o vento forte que bate contra meu corpo fraco, perdido no céu (este mesmo que você me apresentou) invade todo meu ser humano, leva o humano, a felicidade, a capacidade: fica o ser. Ser sem você, ser o vazio, vazio que compreende o existir, apenas ser um algo falho em meio a coisas. Objetos, pessoas, animais, elementos… todos frios, estáticos, brancos.
É uma lua grande, brilhante, leitosa, que está alta e longe no campo das estrelas, únicas, eternamente mortas, como minha alma, que morre a cada queimar na sua chama, deixa meu corpo a ser uma eterna estrela, perto da lua, do vácuo, deixa seu brilho morto, fria, perto dos corpos celestes, longe dos corpos, do seu corpo quente e sentimentos.
Você sentará tão somente emaranhada nos seus tantos sentimentos. Mira o céu, uma única estrela numa noite abafada. Deseja infinitamente qualquer vento alísio, uma gota na sua pele úmida. Será uma alegria tão efêmera receber este frescor, levaria o morno incômodo. Debalde pensará no desejo que tão mascaradamente cria e cultiva cada dia mais, com mais esforço e angústia. Tão efêmera quanto a alegria, virá a lembrança daqueles momentos tão deliciosamente agradáveis que outrora passara com a garota-contradição-dos-seus-princípios.
Mas era tão pueril aquele sorriso, o olhar tão certo de penetrar n’alma, os lábios molhavam-se e saciavam a sede naqueles outros que ingênuos e doces dançavam um ritmo francesinho, tão suaves eram os toques que acompanhavam o farfalhar das folhas verdinhas com o silvar do vento.
Sentindo, olhando os efeitos do vento, seu pensamento vai para longe, pára ao lado dela… Tudo volta a parecer tão simples, no oceano ficam apenas as marolas, o vai-e-vem das águas, o revolver da areia… Nada mais simples e feliz do que estar com ela.
O vento pode tornar-se furacão, brisa, tufão, ventos, ventinhos, e o amor, Minha Menina, assim é.

[23.04.08]

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histórias de retrovisor

Julho 22, 2008

Cansada, perdida, fodida, errando de bar em bar. Procurando não achar…

E ela me achou. E eu me perdi nela- a dúvida.
Mas que ignorância existencial a minha! Se houvesse certeza sobre todas as coisas, qual seria o valor do espírito de aventura?

Quando a dúvida vem e me abraça, mas me abraça e me faz suar, e me sufoca, não posso mais. E é hora de parar e sentar em um lugar alto, sei que faço isso pra esquecer, eu deixo a onda me acertar. E o vento vai levando tudo embora.
As coisas na minha vida vêm e vão muito rápido, quase não tenho tempo de armazenar. Mas sinto, e sintão tão intensamente que é como se houvesse um estoque limitado de emoções e sentimentos, e sentindo tudo assim como vindos de uma tempestade, acaba rápido.
Não tem problema, sempre vem alguma coisa. (algum dia o vento se esqueceu de levar uma coisa…)

É a estória.
Desta vez descobri que o estoque era ilimitado.
Já escrevi tantas vezes sobre ela, mas não me canso. Não desgasta, só sinto cada vez mais forte. Neste caso o vento veio, mas não a levou. Só fez esfriar o coração… mas agora, com este verão os ventos estão escassos… E as brisas frescas no fim de tardes abafadas não a levam, e muito ao contrário, trazem-na de volta, e esta sensação que sinto ao lado dela. Cada gota de suor evaporando no ar fresco, o cansaço de tudo se dissolvendo: tardes olhando-a, tardes falando sem parar porque eram tantas coisas que em mim ela provocava – me provocava. Era profissional, sabia o que eu gostava, o que eu queria sem eu falar.
Ela era a pomada para os meus machucados e a causa deles. Nunca algo foi tão capaz de me fazer sorrir. Era o enjôo de expectativa diário. Não saber o que seria do dia, mesmo parecendo que seria como todos os outros, e nunca era. Algum dia descrevi esta coisa nossa como estar no meio-fio entre a calçada e a avenida movimentada- aquela a segurança de uma amizade, esta o perigo de uma paixão louca. Me fascinava. Deixou de fascinar. Voltou a fascinar… Simplesmente é indissolúvel no vento que me leva todas as coisas. Ou será só imaginação?

E foi neste momento que eu vi esta minha história no retrovisor do carro que leva a minha vida. Não sei para onde leva, mas com efeito… o principal não é pra onde vou, é onde estou.
Ou não.

[23.02.08]

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Borbulhando

Julho 22, 2008


[música: anyone else but you- michael cera and ellen page]

Ah, grande música para começar a pensar em algo pra escrever. Aliás, pra que pensar pra escrever? Não seria tão verdadeiro pensar no que escrever, é mais fácil sentir e deixar escorrer pelos dedos e ver tudo o que eu sinto aqui dentro traduzido em letrinhas na tela do computador. na verdade não é tão fácil assim, e às veze eu mesma me canso de falar sobre o que eu estou sentindo. Mas até que houve progresso… as borboletas parece que foram fazer sua algazarra um pouco mais pra lá do meu estômago, elas estavam já me incomodando… não sei por que insistem em aparecer quando minhas flores estão murchas, as árvores sem folhas para evitar perder tanta água… é que andei chorando muito e faltou água pras minhas flores da alma.
Delícia ver vir o sorriso no rosto com o sol quentinho e o vento gelado. Bom que fica assim no esquenta-esfria, não deixa sentir nem muito a felicidade do calor nem a solidão do frio. É que se eu sentisse muito qualquer um destes, eu viciaria; é sempre assim… eu vicio.
Mas é gostoso sentir que entrei em um novo ano, e eu tenho uma vida pra viver. E tenho recordações e devo colocá-las no devido lugar: passado. É lá que elas devem ficar bem quietinhas, vez ou outra podem vir à memória … naqueles momentos de nostalgia vendo fotos antigas de sorrisos inocentes.
Deixei mensagens … você não me respondeu. Grata! Muito bem caminha minha vida sem você… ou ainda não caminha, acho que estou descansando recostada em uma árvore, sob a sombra gentil que ela me faz. Aí fico um tempo assim, recompondo meus ânimos, minha alma, curando o coração, tirando as fitas amarelo-e-pretas que cercavam a área da tragédia… jazia alí uma historiazinha bonitinha [deja vu²] com uma garota apaixonante, mortal. Bom, a história já foi levada, já está enterrada.. as análises indicam que foi um caso de ilusão, a vítima era uma invenção adaptada à realidade, não deu certo. Enfim.. foi pro arquivo morto.
Já estou limpando a área, sem restos disto ou daquilo. São umas coisas deliciosas que eu tenho que aprender que não voltarão, e o consolo é que há milhões de pessoas que podem ser especiais pra mim por aí… andando na calçada da rua que cruza minha casa, ou naquela na qual eu vou andar por acidente do destino. ahhh, mas essas coisas eu deixo pra minha imaginação utilizada em mini roteiros de filmes. Na minha vida mesmo o que rola é a incosequência dos fatos, a imperfeição dos encontros, a decepção, mas além disso há o sangue que corre rápido e faz eu me sentir bem viva. E é o que importa… sem a tristeza a felicidade não teria o mesmo gosto!! Esse gosto de bolo bem-casado e frappé bem gelado em um dia qualquer… uma segunda-feira corrida. Certo que sentirei falta de ser tão panaca, embora isto tenha me custado grandes arrependim… WHOOPS! não, não me arrependi. É fácil me criticar depois de ter visto o final da cena… Fiz o que queria e é isso que importa! “Felicidade consiste em ser o que se é”

Pois sou. E se deixo de ser é porque estou na cama a choramingar dores causadas por uma terceira pessoa que não coube no meu roteiro.
Feliz ou infelizmente às vezes é necessário fazer uns ajustes aqui ou ali, senão o filme não sai e a trilha sonora não encaixa.
Agora a trilha sonora está certa, casada com o momento. O computador funcionando e as teclas soltando as palavras que estavam cravadas em mim.

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Algum dia eu deixo de viver esse filme que sempre crio na minha mente. E espero que nao seja logo, porque é muito bom sentir as pessoas comendo pipoca e desligando os celulares.
[27.01.08]