Arquivo da categoria ‘Caio F. Abreu’

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precisando de um vinho:

Junho 11, 2009

“Então eu te disse que o que me doíam essas esperas, esses chamados que não vinham e quando vinham sempre e nunca traziam nem a palavra e às vezes nem a pessoa exatas. E que eu me recriminava por estar sempre esperando que nada fosse como eu esperava, ainda que soubesse.”

- Caio Fernando Abreu
(só podia né.)

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Março 1, 2009

“Chorar por tudo que se perdeu, por tudo que apenas ameaçou e não chegou a ser, pelo que perdi de mim, pelo ontem morto, pelo hoje sujo, pelo amanhã que não existe, pelo muito que amei e não me amaram, pelo que tentei ser correto e não foram comigo. Meu coração sangra com uma dor que não consigo comunicar a ninguém, recuso todos os toques e ignoro todas tentativas de aproximação. Tenho vergonha de gritar que esta dor é só minha, de pedir que me deixem em paz e só com ela, como um cão com seu osso.
A única magia que existe é estarmos vivos e não entendermos nada disso. A única magia que existe é a nossa incompreensão.”

Caio Fernando Abreu

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Por isso às vezes quero parar de escrever. Porque ele já escreveu tudo pra mim.

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dezoito x vinte e quatro

Setembro 29, 2008

[desejo do fundo da minha alma saber o que significa esta expressão: dezoito por vinte e quatro. se alguém souber, agradeço:)]

“… Sou uma loura facílima, por isso mesmo extremamente difícil: minhas obviedades possuem mapas complexos, os inúmeros X apontando o lugar exato do tesouro são quase todos falsos – selvas emaranhadas, lagos infestados de piranhas, crocodilos famintos, pigmeus vorazes, caçadores de cabeças, tigres enfurecidos, ninhos de serpentes, plantas carnívoras, pestes tropicais, febres malignas, curares e tisanas.(…) Só os mais astutos percebem que o X, ao invés de perdido entre incontáveis perigos, pode estar à beira do mais manso dos regatos, à sombra da mais florida cerejeira, no mais fresco desvão do mais fértil dos vales.”

Caio Fernando Abreu – Morangos Mofados

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A Transformação:

Agosto 27, 2008

“… Ele olhou para o lado. Do lado havia Outra Pessoa. A Outra Pessoa o olhava com cuidadosos olhos castanhos. Os cuidadosos olhos castanhos eram mornos, levemente preocupados, um pouco expectantes. As transformações tinham-se tornado tão rápidas que, no primeiro momento, não soube dizer se a Outra Pessoa via a ele ou a Ela, se se dirigia à moldura, à casca, ao cristal ou ao desenho, ao corpo original, às gotas de sangue. Isso, num primeiro momento. Num segundo, teve certeza absoluta que se tinha desinvisibilizado. A Outra Pessoa olhava para uma coisa que era ele mesmo. Ele mesmo olhava para uma coisa que era Outra Pessoa. O coração dele batia, cheiro de sangue. Pousada sobre seu ombro, a mão da Outra Pessoa tinha veias cheias de sangue, latejando suaves.
Alguma coisa explodiu, partida em cacos. A partir de então, tudo ficou ainda mais complicado. E mais real.”

- Caio Fernando Abreu.

Agora até sinto-me pisar quebrando os cacos que ficaram para trás à medida que sigo em frente. Em frente, sempre.

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desassossego:

Agosto 24, 2008

Estou pronta para vomitar.
Eu levantei da cama, coloquei um jeans sujo cheirando a cigarro, um moletom cinza, óculos escuro, prendi o cabelo bem alto, queria parecer qualquer coisa assim, tipo um pássaro com aqueles topetes estranhos. Nem estava frio, mas eu queria o moletom. Comprei açúcar, limão, soda e hortelã.
Antes eu tinha lembrado do Bacardi branco na geladeira, do lado de um monte de catchups e maioneses. Decidi que precisava tomá-lo. Cheguei e preparei meia caneca de mojito e coloquei em uma taça de champagne. Nada a ver. Não medi nada, mas ficou bom.

Antes disso tudo eu fiquei irritada na cama porque coloquei uma luz perto e a luz estava fazendo parecer quente e sujo. Eu deitei para ler… coloquei uma música bem baixinho e peguei os Morangos Mofados. aí quando ia começando a ler a música mudou e a voz do cara lá cantou Strawberry fields forever…. Tá, é um lugar, mas é morango, ué. Mas o mais engraçado é que eu lia este livro antes de parar para comprar um café pra viagem e depois de ler a parte “…, e nesse momento o disco acabou e as palavras ficaram ressoando meio libidinosas no ar, enquanto ele olhava para o osso descarnado.” E é lógico que ele falava de uma perna de galinha. Quando peguei o café e saí de lá, subindo uma travessa da Av. Paulista, eu olho para o chão e vejo uma perna de galinha descarnada. Eu ri e fui pisando nas listras brancas dos pedestres.

Aí eu fico achando que o Caio devia ser uma pessoa bem louca, que vivia vomitando tudo o que lhe afetava. E até mesmo o que não lhe afetava.
Eu me sinto quando o leio. Sinto até uma vontade congelante de tragar um pouco de aventura.
Vou pegar um livro aqui em cima e escrever alguma coisa dele, só porque me sinto um pouco sem o que falar… Ah, o Elogio da Loucura não é muito bom pra agora, apesar de conter uma pergunta pertinente: O que seria da vida sem a volúpia, sequaz da Loucura?
Sem a loucura. Meus disas têm sido sem loucura, tão iguaizinhos como a chuva. A chuva sempre é chuva, às vezes forte às vezes fraca, mas chuva. Os dias são assim, às vezes brilhantes, às vezes nebulosos. E as pessoas também… umas são mais intensas, outras são fantoches.
but we all pump the same red blood into our veins.

Não queria falar nada sobre ela agora. Mas sinto meu coração palpitar. Não de dar palpite, mas de pulsar.
Eu sinto até meu sangue mais fluido… que corre mais rápido mas deixa ofegante.
Só me desiludi. Mas tenho a vontade como sempre… não importa o que tenha falado nem feito. Nem há felicidade falsa, enquanto dura é verdadeira!. Porque um dia de felicidade que ela consegue me dar é tão anestesiante quanto aquela coisa que injetam na nossa veia pra fazer cirurgia grande.
E é muito verdadeiro. Não importa se depois ela pense e ache que não, que não pode nunca se apaixonar por mim. Nem me fodo pra isso… paixão, amor, o escambau.. que corra tudo pelos esgotos. Pra mim só importa o momento. E o momento eu sei que é meu. É a única parte da minha vida que eu não penso no depois… estranhamente eu vivo o agora pensando como vou lembrar disso amanhã. E já falo como se fosse passado.
Eu tomo um gole dessa coisa alcoolica, limpo os lábios e mordo o inferior. A boca fica deveras vermelha… e lembro que ela gosta disso, e eu gosto da boca violenta dela.
Violenta de beijos, mordidas, chupadas e palavras. Tudo me afeta e me comove.
Move. Porque senão tudo fica assim estático e eu só leio essas palavras nessas folhas amareladas e sinto tanta vontade de ter uma sala só minha. Só quero a sala.
Quero um quadrado de área grande, sem quase nenhum móvel.. mas um toca-discos, um piano, um tapete e muitas almofadas. Sem TV. Flores e meia-luz.
Quero uma parede bordô e a cortina cru. Um quadro preto e branco com uma foto que eu tirei quando fui pra uma cidade estranha e comi a camareira.
Eu gosto dessa sensação de resolver problemas complexos de física e sentar num tapete fofo escutando qualquer coisa antiga.
Mas mesmo que isso aconteça e eu tenha esse meu quadrado particular, eu vou colocar um moletom, tomar algo com muito gelo e esperar tocar o celular com a música “uh, mon amour, mon amour j’t'entends pas mon amour dis-moi où t’es allé, mon amour, mon amour…”.
Porque quando essa música toca no meu celular eu tenho vontade de vomitar eu te amo’s loucamente.
Mas enquanto isso fico aqui vomitando umas quase-vontades que tenho nesse corpo tépido e essa steaming mind.

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De repente, não mais que de repente…

Julho 22, 2008

[...] sabe que o meu gostar por você chegou a ser amor, pois se eu me comovia vendo você, pois se eu acordava no meio da noite só pra ver você dormindo, meu Deus…como você me doía! De vez em quando eu vou ficar esperando você numa tarde cinzenta de inverno, bem no meio duma praça, então os meus braços não vão ser suficientes para abraçar você e a minha voz vai querer dizer tanta, mas tanta coisa que eu vou ficar calada um tempo enorme…só olhando você, sem dizer nada só olhando e pensando: Meu Deus, mas como você me dói de vez em quando!

- Caio Fernando Abreu

Entre os minutos curtos escondem-se longos segundos de aflição doída em mim.
É aquele sentir frágil e medroso, ousado mas comedido.
Extra-ordinário não saber o que fazer.
São palavras de desabafo e tentativas de concluir que você é a pessoa para a qual eu quero dar a minha fidelidade, ou não
Borrifaram dúvidas entre nós que custam a secar… É que por mim eu tenho certeza, mas você… você me faz duvidar, me faz querer e desquerer, amar e odiar, ficar entre esses extremos, oscilando. Meu coração não aguenta!
Esquenta e esfria. Mas é porque é inverno, tempo de estar junto, abraçar, sentir-se aquecida a noite no parque pelo beijo dela, fondue com frutas, bocas, linguas e tremores de gozo.
Canso de tentar achar modos de expressar essas coisas surreais.

Alguem diz pra ela que sem ela não pode ser?

[20.07.08]