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histórias de retrovisor

Julho 22, 2008

Cansada, perdida, fodida, errando de bar em bar. Procurando não achar…

E ela me achou. E eu me perdi nela- a dúvida.
Mas que ignorância existencial a minha! Se houvesse certeza sobre todas as coisas, qual seria o valor do espírito de aventura?

Quando a dúvida vem e me abraça, mas me abraça e me faz suar, e me sufoca, não posso mais. E é hora de parar e sentar em um lugar alto, sei que faço isso pra esquecer, eu deixo a onda me acertar. E o vento vai levando tudo embora.
As coisas na minha vida vêm e vão muito rápido, quase não tenho tempo de armazenar. Mas sinto, e sintão tão intensamente que é como se houvesse um estoque limitado de emoções e sentimentos, e sentindo tudo assim como vindos de uma tempestade, acaba rápido.
Não tem problema, sempre vem alguma coisa. (algum dia o vento se esqueceu de levar uma coisa…)

É a estória.
Desta vez descobri que o estoque era ilimitado.
Já escrevi tantas vezes sobre ela, mas não me canso. Não desgasta, só sinto cada vez mais forte. Neste caso o vento veio, mas não a levou. Só fez esfriar o coração… mas agora, com este verão os ventos estão escassos… E as brisas frescas no fim de tardes abafadas não a levam, e muito ao contrário, trazem-na de volta, e esta sensação que sinto ao lado dela. Cada gota de suor evaporando no ar fresco, o cansaço de tudo se dissolvendo: tardes olhando-a, tardes falando sem parar porque eram tantas coisas que em mim ela provocava – me provocava. Era profissional, sabia o que eu gostava, o que eu queria sem eu falar.
Ela era a pomada para os meus machucados e a causa deles. Nunca algo foi tão capaz de me fazer sorrir. Era o enjôo de expectativa diário. Não saber o que seria do dia, mesmo parecendo que seria como todos os outros, e nunca era. Algum dia descrevi esta coisa nossa como estar no meio-fio entre a calçada e a avenida movimentada- aquela a segurança de uma amizade, esta o perigo de uma paixão louca. Me fascinava. Deixou de fascinar. Voltou a fascinar… Simplesmente é indissolúvel no vento que me leva todas as coisas. Ou será só imaginação?

E foi neste momento que eu vi esta minha história no retrovisor do carro que leva a minha vida. Não sei para onde leva, mas com efeito… o principal não é pra onde vou, é onde estou.
Ou não.

[23.02.08]

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