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Borbulhando

Julho 22, 2008


[música: anyone else but you- michael cera and ellen page]

Ah, grande música para começar a pensar em algo pra escrever. Aliás, pra que pensar pra escrever? Não seria tão verdadeiro pensar no que escrever, é mais fácil sentir e deixar escorrer pelos dedos e ver tudo o que eu sinto aqui dentro traduzido em letrinhas na tela do computador. na verdade não é tão fácil assim, e às veze eu mesma me canso de falar sobre o que eu estou sentindo. Mas até que houve progresso… as borboletas parece que foram fazer sua algazarra um pouco mais pra lá do meu estômago, elas estavam já me incomodando… não sei por que insistem em aparecer quando minhas flores estão murchas, as árvores sem folhas para evitar perder tanta água… é que andei chorando muito e faltou água pras minhas flores da alma.
Delícia ver vir o sorriso no rosto com o sol quentinho e o vento gelado. Bom que fica assim no esquenta-esfria, não deixa sentir nem muito a felicidade do calor nem a solidão do frio. É que se eu sentisse muito qualquer um destes, eu viciaria; é sempre assim… eu vicio.
Mas é gostoso sentir que entrei em um novo ano, e eu tenho uma vida pra viver. E tenho recordações e devo colocá-las no devido lugar: passado. É lá que elas devem ficar bem quietinhas, vez ou outra podem vir à memória … naqueles momentos de nostalgia vendo fotos antigas de sorrisos inocentes.
Deixei mensagens … você não me respondeu. Grata! Muito bem caminha minha vida sem você… ou ainda não caminha, acho que estou descansando recostada em uma árvore, sob a sombra gentil que ela me faz. Aí fico um tempo assim, recompondo meus ânimos, minha alma, curando o coração, tirando as fitas amarelo-e-pretas que cercavam a área da tragédia… jazia alí uma historiazinha bonitinha [deja vu²] com uma garota apaixonante, mortal. Bom, a história já foi levada, já está enterrada.. as análises indicam que foi um caso de ilusão, a vítima era uma invenção adaptada à realidade, não deu certo. Enfim.. foi pro arquivo morto.
Já estou limpando a área, sem restos disto ou daquilo. São umas coisas deliciosas que eu tenho que aprender que não voltarão, e o consolo é que há milhões de pessoas que podem ser especiais pra mim por aí… andando na calçada da rua que cruza minha casa, ou naquela na qual eu vou andar por acidente do destino. ahhh, mas essas coisas eu deixo pra minha imaginação utilizada em mini roteiros de filmes. Na minha vida mesmo o que rola é a incosequência dos fatos, a imperfeição dos encontros, a decepção, mas além disso há o sangue que corre rápido e faz eu me sentir bem viva. E é o que importa… sem a tristeza a felicidade não teria o mesmo gosto!! Esse gosto de bolo bem-casado e frappé bem gelado em um dia qualquer… uma segunda-feira corrida. Certo que sentirei falta de ser tão panaca, embora isto tenha me custado grandes arrependim… WHOOPS! não, não me arrependi. É fácil me criticar depois de ter visto o final da cena… Fiz o que queria e é isso que importa! “Felicidade consiste em ser o que se é”

Pois sou. E se deixo de ser é porque estou na cama a choramingar dores causadas por uma terceira pessoa que não coube no meu roteiro.
Feliz ou infelizmente às vezes é necessário fazer uns ajustes aqui ou ali, senão o filme não sai e a trilha sonora não encaixa.
Agora a trilha sonora está certa, casada com o momento. O computador funcionando e as teclas soltando as palavras que estavam cravadas em mim.

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Algum dia eu deixo de viver esse filme que sempre crio na minha mente. E espero que nao seja logo, porque é muito bom sentir as pessoas comendo pipoca e desligando os celulares.
[27.01.08]

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