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ela-mesma

Junho 11, 2009

“Sentir tudo de todas as maneiras,
Viver tudo de todos os lados,
Ser a mesma coisa de todos os modos possíveis ao mesmo tempo,
realizar em si toda a humanidade de todos os momentos
Num só momento difuso, profuso, completo e longínquo.”

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ela e eu

Junho 11, 2009

Ela e Eu

Ela não atendeu na hora que liguei. A campainha soou não sei quantas vezes
dentro daquela sala que eu conheço de cor. O sofá cheio de almofadas, o jornal
espalhado pelo chão, o som ligado mas sem tocar:”Tô com preguiça de levantar”.
Na parede os quadros que presenciaram o sexo e as conversas absurdas de todas
as madrugadas. Discussões, até. Brigar é coisa normal – ninguém gosta de quem
é exatamente igual. A diferença é que ela sempre tem de dar a última palavra.
E eu querendo dormir.

Terça é dia de feira, portanto é dia de peixe no almoço e também de flor.
Sandália havaiana jogada do lado da cama, toalha no chão – eu acho lindo ela
de cabelo molhado. Tantas vezes acordei com o barulho do secador invadindo meu
sonho. Não gosto de pasta de dente que gela, tenho aflição. Prefiro dormir do
lado direito, mas é do lado esquerdo que fica o telefone. Quando tá chovendo a
porta da frente incha e range quando se abre, dá pra ouvir o chuveiro balançando.
A coberta tá toda embolada. Eu sinto calor, ela morre de frio. Mas, no meio da
noite, a gente se encontra.

No avião fiquei olhando o mar pela janela. Levantei o braço da poltrona, não
tinha ninguém no meio. Quando estico a perna sempre acho que ela vai botar a sua
por cima. Como no cinema. Pra mim o mundo se divide em duas categorias de pessoas:
aquelas que chupam toda a bala durante o trailer, e aquelas que só o fazem depois
que o filme começa. Ela espera. Eu não. Será que é por isso que eu a amo tanto?

Nando Reis

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precisando de um vinho:

Junho 11, 2009

“Então eu te disse que o que me doíam essas esperas, esses chamados que não vinham e quando vinham sempre e nunca traziam nem a palavra e às vezes nem a pessoa exatas. E que eu me recriminava por estar sempre esperando que nada fosse como eu esperava, ainda que soubesse.”

- Caio Fernando Abreu
(só podia né.)

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Maio 17, 2009

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“Aprecio a tua presença só com os olhos.
Vale mais a pena ver uma coisa sempre pela primeira vez do que conhecê-la,
Porque conhecer é como nunca ter visto pela primeira vez,
E nunca ter visto pela primeira vez é só ter ouvido falar.”


(Fernando Pessoa)

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Dolce bacio

Maio 15, 2009

Dolce Bacio
Como se tivessem tirado minha roupa naquele instante, senti uma primeira gota de água tocar meu ombro, atrás desta vieram outras muitas como um aviso de despertar para trazer-me de volta ao banho. Meu corpo estava completamente molhado, minha face ruborescida carregava os olhos semi cerrados, os quais não enxergavam quase nada pelo efeito do vapor d’água. Só após ter visto aquelas milhões de gotículas pairando no ar percebi quanto tempo fiquei ali, sentada sob a ducha.
Aquele beijo não saía de mim, insistia em ser sentido em cada milímetro da minha boca, que me fazia tremer e contrair os músculos em um ímpeto de desejo, este mesmo que ocupava meus pensamentos nas tardes de trabalho maçante, foi que me tirou do banho – levou-me para perto do corpo daquela mulher imensamente querida por cada poro do meu ser.
Estando imaginariamente ao lado dela, meus pêlos se arrepiaram e o coração bateu descompassado, desconsertado pelos passos que faziam aproximar minha musa, com os cabelos mais macios e perfumados que já tivera chance de tocar. O olhar sob uma sobrancelha circunflexa perfeitamente desenhada parecia ter sua luz em apenas um caminho: minha alma. Eu podia declamar poemas e tocar melodias doces apenas olhando para ela, e ela conseguia ser mais doce que qualquer belo canto, era um vício. O único amargo era ficar nesta distância segura e massacrante. Algo me segurava para não me aproximar nem mais um passo, este algo me protegia do sentimento mais inofensivo, ardente sim, mas inofensivo. Importunava meus sentidos este resistente querer e não poder. Estalei os dedos, percebi o suor entre eles, o gelo na barriga que divergia para todo o corpo e gelava minhas mãos, o coração que parecia um animalzinho mal alimentado vendo seu dono chegar com comida, a última, longa e encorajadora inspiração e… Ele chegou, tocou a mão dela, um beijo seco, me acenou de longe.
Saliva, suor, esperança, flor e tudo o mais que havia em mim de súbito secou.

Saí do transe com a gota que caíra em minha pele, esta água não apenas me trouxe de volta à realidade, mas também encheu para voltar a fluir o rio da minha vida. Aflorou novas esperanças, matou antigos medos, banhou a face que trazia o sabor e o perfume dela, deixou-me limpa, aberta para poder sentir novamente um novo e doce beijo.

Existem sentimentos tão íntimos entre nós, que apenas nós duas nos bastamos; é suficiente que todo o desejo seja passado apenas da minha boca para a sua e vice-versa.

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some folk song

Abril 27, 2009

Down in the valley, valley so low
hand your head over, hear the wind blow.
hear the wind blow, dear, hear the train blow;
hand your head over, hear the wind blow.

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inspiração

Abril 22, 2009

” Querer um futuro só porque você estará lá, meu amor. O caminho de encontrar num outro humano o mais humilde de nós. Então direi da boca luminosa de ilusão: te amo tanto. “

Caio Fernando Abreu -

(só podia né :~)

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inventa

Abril 21, 2009

Mas ficou tudo fora do lugar,
café sem açúcar, dança sem par.
Você podia ao menos me contar uma história romântica.

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cena

Abril 19, 2009

lembrar de escrever a cena delirada no starbucks.

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palavra

Abril 13, 2009

“A palavra diz-nos, a você e a mim, o nós. Com nosso olhar podemos ler o mundo, mas cabe à palavra interpretá-lo, recriá-lo no tangível e concreto, circunscrito em um papel. Um mundo reescrito por onde circulam os nossos projetos, nossos sonhos e desejos.

Sobre a mão, a idéia-palavra deitando-se no papel, as linhas-grades de nossa liberdade. A palavra escrita, expressão do nosso ser, liberta-nos, desfaz em nós os nós, acomoda as emoções e diz-nos. Diz tudo e nada, mas traduz sempre “uma parte na outra parte que é uma questão de vida ou morte”, uma questão de arte.”

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texto muito lindo de uma professora de interpretação de texto.