“Dormiam para sempre o sono encantado do cotidiano.”
O mundo de Sofia - Jostein Gaarder


cada ponto luminoso.
cada gota luminosa.
you have the answer.
t
o
d
a
uma estória.
os pés pisando pisos gelados
os pés roçando pés quentes
os pés dormentes
as mãos
t
o
d
a
s
esperando por dedos para entrelaçar.
laçar.
todo o vinho
t
i
n
t
o
em cada mínimo pedaço da loucura transbordante da cidade que cabe em uma taça
t
r
a
n
s
b
o
r
d
a
n
t
e.
yours.
Forever and ever.
tudo que os tijolos nos escondem e tudo o que nossos processos mentais ligamos em conduções de correntes.
você vai acabar amanhã.
t
o
d
o
s
seus quatro anos de envólucro de calçadas, cadeiras, rostos e vazios.
t
u
d
o
.
agora livre. chegamos aqui.
PARA DISSOLVER, PARA DESPERTAR PARA DIZER.
ah
ah


Respiração forte e rápida sem nem mesmo ter corrido, levado um susto ou gozado.
Me assusta tanto este potencial que pulsa em fios dispersos radiais que saem do meu peito.
Tem um lado tão real, tão terra e pénochão, conquistas, essas coisas de humanos do século não sei qual.
Tem outro lado que chega ameaçador por este potencial. Que quer andar descalço, tomar drogas, escrever sem parar, ler sem parar, olhar, ter tempo, consumir o tempo. E isso é tão ofuscado pelo outro lado.
Só um desabafo.

E não tenho como dizer de forma assim tão patética o quanto isso é um equívoco, dor perene dos meus dias.

Fica um lodo fino, misturado, incorporado, fixado em Todo o resto do café. Em todo o resto do café bom, t o t a l m e n t e diluído, homogêneo, fluido, engolível. E a vida toda segue assim. O pó, a água potavel, os dois se envolvendo, desmaios rm abril, agosto, deixa decantar o pó, a vida se turvando, engrossando, ta dificil de engolir. Deixa decantar o pó, o pó de todos esses dias, meses, anos, de todos esses descasos, iluaoes, confusoes, crises existenciais, todo o pó cravado em cada minima parte de voce, tao limpida, clara, POTAVEL. Deixa decantar. Quanto tempo leva? Um mes, dois, tres? Geralmente tres. Aquele peso la no fundo, la dentro, la no intimo no coraçao ou onde quer que seja que doi quando voce pensa Que caralho de vida ue decanta de tres em tres meses. Ai quando pesa infinitos, pega a prensa, com muito cuidado, com muita precisao, vai empurrando lenyo, forçando, pressionando, comprimindo o pó, tentando separa-lo do resto, do que não é agua, do que nao é pó. Mas esse metodo de s e p a r a ç a o afundava tanto o pó que apertava, aquertava tanto la dentro, la no fundo, la no intimo, que quando isso acontecia depois dos tres meses de decantaçao – sm nenhuma explicaçao, sem nrnhum motivo acontecia -, ela tinha que fechar os olhos bem apertados, os dentes cerrados, as maos nas temporas, toda a pressao incontrolavel, incontornavel. Aí segurava firme em algo nela mesma que nao sabia bem o que era – esperança, amor, autocomiseraçao – e soltava o ar, o vapor, soltava por tres segundos, tres minutos, outros tres meses para esperar esfriar, tres meses sem aspirar nenhum tipo de ar.
Ciclicamente este processo se repetia por solsticios e equinocios, enlodando cada vez mais o que era limpido, claro, potavel com toda a poeira que se acumulava, afinal, la dentro, la fundo, la intimo.
Mas continuava sempre potavel. Potavel e energizante.

Aspirava como para diluir o que havia por dentro; expirava doído para expelir o que havia por dentro. E o que havia por dentro fincava suas garras – tinha garras o que havia por dentro? – nas víceras, nas veias, na traquéia, rasgando tudo até a garganta, onde embolava e ficava preso, para depois descer aos poucos contaminando tudo novamente. Durante o dia repetia aspirar diluir expirar expelir rasgar embolar aspirar diluir expirar expelir rasgar embolar.
A noite não fazia isso, porque a noite o que havia por dentro ficava calmo, acarinhava todas as sensações, abraçava e tomava colo num conforto maldito.